Ir para o conteúdo
Letícia Ricardi JulianiPsicóloga · CRP 06/229645

Ansiedade não é falta de controle

Quem convive com ansiedade costuma se cobrar por não conseguir se acalmar. A leitura psicanalítica começa por outro lugar: não pelo comando, mas pelo que a ansiedade está tentando dizer.

Letícia Ricardi JulianiCRP 06/2296455 min de leitura
Mesa de cabeceira à noite, com abajur aceso, despertador antigo, copo de água e um livro aberto

Existe uma frase que quase todo mundo já ouviu, e que raramente ajudou alguém: "tenta se acalmar". Ela parte de uma ideia simples, a de que a ansiedade seria uma falha de controle. Bastaria querer com força suficiente e ela passaria.

Na prática clínica, o que aparece é quase o contrário. Quanto mais alguém se cobra para não sentir, mais a sensação se instala. A tentativa de controle vira parte do problema.

O que a ansiedade costuma estar fazendo

A ansiedade antecipa. Ela projeta um cenário que ainda não aconteceu e prepara o corpo para ele: coração acelerado, respiração curta, sono picado, pensamento em looping. Do ponto de vista do organismo, isso é um sistema funcionando. O problema é que ele foi acionado para uma ameaça que não está ali, ou que está em um lugar diferente daquele em que a pessoa acredita que está.

Por isso a pergunta clínica não é apenas "como fazer isso parar". É também: o que precisou ser antecipado a esse ponto? Do que essa antecipação está protegendo?

A ansiedade não costuma ser o assunto. Costuma ser o aviso de que existe um assunto.

Sinais que aparecem com frequência no consultório

  • Dificuldade para desligar à noite, com a cabeça repassando conversas e listas.
  • Sensação física constante de aperto no peito ou no estômago, sem causa clínica identificada.
  • Irritação desproporcional com coisas pequenas, seguida de culpa.
  • Necessidade de planejar cada detalhe para evitar imprevistos.
  • Cansaço que não melhora com descanso.

Nenhum desses sinais é diagnóstico por si só. Eles indicam que vale a pena olhar com mais cuidado, e que esse olhar dificilmente acontece sozinho.

Por que a psicanálise trabalha diferente

Boa parte das abordagens oferece técnicas para reduzir o sintoma. Elas têm valor, e muita gente se beneficia delas. A psicoterapia psicanalítica acrescenta outra camada: em vez de tratar a ansiedade apenas como um ruído a ser eliminado, ela a trata como uma comunicação.

Isso muda o ritmo do trabalho. A sessão não é um lugar de receber instruções. É um lugar de falar sem edição prévia, inclusive sobre o que parece bobagem, e ir percebendo que certos temas voltam. Essa repetição é material. É nela que a história começa a ficar legível.

Com o tempo, a pessoa costuma parar de perguntar apenas "como controlo isso" e passa a perguntar "por que isso aparece justamente aqui". A diferença entre as duas perguntas é grande.

Quando procurar ajuda

Não existe um limite mínimo de sofrimento para começar a terapia. Não é preciso estar em crise. Se a ansiedade está ocupando espaço na sua rotina, no seu sono, nos seus vínculos ou na sua capacidade de trabalhar, isso já é motivo suficiente.

Procurar ajuda não é admitir fraqueza. É reconhecer que algumas coisas precisam de escuta para ganhar contorno, e que tentar resolver sozinho já foi testado tempo demais.

Para saber como funciona o atendimento no consultório, veja a página de terapia para ansiedade em Bauru.